segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Desafio XL - Resposta


É quanto dura a memória. Um quarto de tempo escorrido que nem água,
e desapareci.

A tua memória de mim cristalizou-se nas palavras que escrevia todos os dias.
E como um Narciso espelhado nelas, foste o viajante que prendi nos meus poemas
recitados à distância.

E cada vez que o relógio batia a nossa hora, mais um poema desabrochava nas minhas páginas, para que ávido, pudesses ler quem foste.

E engana-se quem julga que o fulgor da memória se esfumava com o bater
das nossas horas.

A cada martelada no tempo, renasciam breves e fugazes os meus poemas, marcando
o ritmo da tua ausência.

Mas no dia em que te perdoei, o relógio voltou à hora que era nossa e ficou confuso.
E como não parou como dantes, perdeu-se o tempo de vasculhar
Dentro mim.

Foi assim que me esqueceste.
Um quarto de perdão. É quanto dura a memória.

domingo, 24 de outubro de 2010

Desafio XLI- Resposta

http://www.youtube.com/watch?v=_mVW8tgGY_w

Oh tu não entendes e sinceramente não me considero capaz de te explicar. Porque a liberdade , quando a sinto no peito, uma tranquilidade diferente nasce-me no ego. E é melódica e é harmoniosa e é perfeita. Perfeita. A liberdade é perfeita. Tens de a ouvir, tens de a sentir. A liberdade é azul mas tens a visão do teu espirito enclausurada para as cores do mundo, se não ves te não posso explicar.
Chamas-me louco. Porque não valorizo a minha vida? Oh não. Não. Quero ser livre. Não. Sou livre. Não me podes tirar aquilo que é meu, aquilo que me orientava neste mundo surdo e cinzento antes de eu definir quem era. A minha vida é liberdade, nasci livre, morrerei livre. Viverei livre. Ouvirás o meu ser elevar-se numa força resistente e calma, numa tranquilidade de ferro impenetravel. Porque sou livre. Porque me podes torturar, podes fazer-me desejar uma morte rápida. Mas nunca me tirarás a liberdade, se morrer morro livre. Sou livre. Tens razao , é um destino triste. Porque morro. Mas sem liberdade já morri. Sem liberdade era como tu, um morto a passear-se pelos vivos a fingir que o sopro da vida não se esgotou no teu peito por seres apático e fraco.
Não existe vida sem liberdade, sem sentires a benção de estares vivo. Mas te não consigo explicar. Seguia-o sim, seguia o Herói até à morte e para alem dela. Porque ele era livre, porque inovou a propria liberdade. Seguia-o até a minha morte e para além dela porque tambem sou livre, livre de escolher uma morte digna.
Oh tu não entendes. É a liberdade que existe em ti e que tu não entendes. Que tu desprezas. Queres essa vida calma e estavel, sem terrores ou pesadelos. Mas a não escolheste, foste ceifado pela tua propria fraqueza. E um dia arrepender-te-ás. Porque não escolheste a liberdade, faltou-te coragem para morreres por aquilo que é teu. A tua liberdade.
Oh sim eu sigo-o. Sigo o Herói até à morte e para alem dela. Não ha nada como sentir a liberdade a romper, suavemente, da pele. Senti-la a aquecer o meu coração, a consolar o meu espirito. A arrepiar-me cada pedaço de pele e de alma. A oferecer-me uma nova força, uma brutalidade bélica crua mas não inocuamente violenta. A oferecer-me a força estrondosa e invencivel de ser livre. Porque poder-me-ás matar, ah, é tao facil o meu sangue é igual ao teu. Mas morro como homem livre, o meu espirito é livre (e o teu não).
Ah te não consigo explicar porque largas a tua liberdade no lixo como se não fosse importante. Um dia arrepender-te-ás porque sem liberdade tu não existes, não tens reflexo.
Sinto-a agora a correr-me nas veias. Os olhos fechados sentem o som melódio e harmonioso. Perfeito, a liberdade é perfeita. Divina. Ah, é um chamamento. É uma honra. Sigo-O até à morte e para alem dela. Porque sou livre. Porque o Herói sempre o foi, mesmo quando o não era.

Desafio XL- Resposta

O tédio. O tédio é o ínicio de todos os graves pecados do mundo. Não? Experimenta ocupar a tua mente e o teu espirito com uma ideia em movimento, experimenta alimentar continuamente o apetite de descobrires e explorares novas coisas, novas realidades e diz-me se alguma vez te aborreceste. E, depois, diz-me se alguma vez cometeste alguma extravagancia mal fundamentada e desvairada. Porque isso é o tédio, uma experiencia que termina em grande plano mas sem um bom sustento para o teu ego.
É um ciclo. Cometerás erros se desejares conhecer novos mundos, novas perspectivas. E falhas, claro, se preencheres sempre a tua curiosidade sobre a novidade , falharás algures. Mas não serão pecados, todas essas situações nascidas de uma ideia extenuante e cheia de uma periogosa adrenalina inovadora têm uma percentagem de uma moral que não deixa de ser curiosa. Porque és tu, és tu a elevares-te no pior ou no melhor mas és tu. Sabes o que fazes . Mais. Sabes porque é que fazes. Queres alimentar a tua visao do mundo, queres ser maior. Necessitas de saciar essa vontade de sentir toda a existencia do mundo num pedaço de pele.
Mas as ideias que nascem do tédio não são assim. A tua mente fica em branco, o espirito torna-se pouco nítido. Estás a entrar no domínio onde nada existe e como o nada não é possível acordas. Abres bem os olhos e esticas os musculos mas o teu espirito continua desfocado. Por isso é que os maiores pecados nasceram do tédio. Depois de não se ter ideia alguma só uma péssima ideia poderia surgir. E a seguir a isso, logico, um péssimo acto com ausencia de uma qualquer moral. De qualquer justificação bem fundamentada.
Não te deixes envolver pelo tédio. Corroi-te o corpo, corroi-te mente, corroi-te o coraçao. Deixas de ser tu e ideias mal compassadas e estáticas surgem-te para que não morras de tédio, perdendo a consciencia humana cheia de uma moral curiosa que te torna homem.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Desafio XLII - Resposta



“Tens que ouvir a música” Foi o que eu lhe disse. Estávamos os dois cá fora, o parque prometia um Outono que custava a sair das folhas e do cheiro das castanhas assadas.
“Ouve a música”. E foi assim que o deixei naquele jardim, de mãos dadas com a minha ausência. E as minhas costas tornaram-se num pequeno rectângulo negro recortado no quadro impressionista.



Conhecia-o há pouco tempo, tão pouco que na verdade não o conhecia. Ele foi um corpo pronto a acomodar a minha vontade de imaginar personalidades. E enquanto não fui sabendo quem ele era, ele foi sendo toda a gente.
Quando fomos àquele concerto, naquela primeira noite, estava ainda despejado sobre ele aquele perfume encantador do mistério de não se saber quem se encontrou. Como uma prenda que se guarda na mala e que ainda não se abriu.
Mas quando entrámos na sala, a primeira coisa que vi foi o piano de cauda iluminado por uma luz tépida que contrastava com o escuro dominante do público. Um piano solitário e desprotegido que aguardava que alguém o habitasse.
Foi logo ali que ele passou de ser toda a gente para ser Ele. E comecei a sentir a excitação e o desânimo alternados de começar a pegar na prenda e finalmente abri-la.
Ele olhava simultaneamente para mim e para o piano criando uma linha que me entristeceu. Como se o piano e eu tivéssemos algo em comum.

Sentei-me e ouvi a rapariga tocar. Gostei logo dela, com um amor fácil como o que cultivo pelas nuvens de trovoada. Mais tarde percebi que gostei dela porque ela habitava o piano e não o deixava sozinho.

Durante todo o concerto senti que aquela linha que ele criara se intensificava e comecei a sentir um formigueiro instável. A minha impaciência tornou-se gélida quando após as últimas palmas, a rapariga se levantou e disse que queria convidar uma pessoa do público para tocar um pouco. E imobilizei-me quando ela disse o meu nome.
Finalmente percebia a razão de tudo aquilo. Porque tudo tem um propósito e todas as prendas acabam por ser abertas.

Levantei-me e sai da sala. O coração doía-me dolorosamente e sentia o corpo a encher-se de raiva. Com passos curtos e determinados dirigi-me à saída. Lá, ele estava à minha espera como se tivesse ultrapassado o tempo. Parecia assustado e arrependido e isso só me enfureceu mais.
“Só queria que tivesses a oportunidade de tocar num piano!”

Lembro-me que olhei para ele como se fosse uma formiga, um bicho indesejável que viajara comigo preso ao meu casaco. Ele já não era toda a gente. Ele era Ele. E era Dele que eu não gostava.
“Eu não toco em pianos” e afastei-o da minha frente, para finalmente entrar na noite húmida.

No dia seguinte ele ligou-me e de todas as vezes eu desliguei o telefone, adiando-o. Todo aquele mistério que ele carregara desaparecera instantaneamente. Sem mistério, ele era só um rapaz que tentava fazer-me feliz.

Mas eu nunca seria feliz ao piano.
A professora de música da escola convencera os meus pais de que eu tinha um talento especial para a música. E com pouco mais de cinco anos as minhas tardes de terça-feira eram passadas numa sala minúscula com um piano incrustado na parede e um cheiro a mofo das pautas que eu endireitava com as minhas pequenas mãos.
Já naquela altura eu era demasiado irrequieta. Quando me sentava ao piano ficava de costas para a janela e era constantemente repreendida. A música saltava-me do coração para a vida e eu corria a recolhê-la. Porque o piano exigia-me as escalas e a rapidez das mãos enquanto a professora batia com a caneta no tampo. Já nessa altura eu dava mais atenção ao ritmo da caneta do que à melodia do piano. Dava mais atenção aos ténis do que às sabrinas. Era mais agressiva do que suave.
E quando produzia melodias no piano, sentia que era ele que estava apaixonado por mim.

Um dia deixei-o sem razão aparente. Não expliquei o meu divórcio, mas mantive-o sagrado, longe da incompreensão dos que me convenciam a voltar para aquele que diziam ser “o meu instrumento”.
Troquei-o mais tarde por uma bateria, quando a violência que eu sentia dentro de mim se tornou insuportável. E apaixonadamente, sendo eu em cada centímetro de pele, criei ritmos e solos. Aprendi pautas a quatro membros, rompi preconceitos e cansei os tornozelos numa algazarra confusa e barulhenta.

Ocasionalmente, a minha solidão espreitava-me e abanava-me a cabeça quando à noite estava à janela. “És teimosa”, dizia-me ela. “O piano foi feito para ti, é solitário como tu”.
E eu sentia saudades. De levantar a tampa preta e de conversarmos. Sentia saudades do amor que ele me dava. Que só ele me dava. Que só ele me tinha.

Porque o ritmo nunca existiu isolado. E a minha agressividade só fazia sentido enquadrada com as guitarras. Mas as guitarras nunca chegaram.

Hoje eu sei que elas nunca vão chegar. E sei que esta minha insistência em ser o ritmo de uma banda não é mais do que um profundo sonho que acalento desde pequena que é o de não estar só.

E o piano sabia.



terça-feira, 19 de outubro de 2010

Desafio XLII

Wings para Alice in Wonderland:

http://www.youtube.com/watch?v=_mVW8tgGY_w


Alice in Wonderland para Ricardo:

"Imagine if you suddenly learned that the people, the places, the moments most important to you were not gone, not dead, but worse, had never been. What kind of hell would that be? "

from A Beautiful Mind




Ricardo para Wings:

“Great spirits have always found violent opposition from mediocrities. The latter cannot understand it when a man does not thoughtlessly submit to hereditary prejudices but honestly and courageously uses his intelligence.”
(Albert Einstein)

domingo, 17 de outubro de 2010

Desafio XLI - Resposta

Passam hoje cinco anos e ainda não consigo cortar a barba. Apará-la com uma tesoura é fácil, e sempre controla o maior influxo de pelos que tentacularmente me cobrem a face. O sangue não deixa de me subir à cabeça ao sentir o frio reflectido nas faces das lâminas. Mas com a tesoura sinto-me como um explorador submarino, caçando em alto mar um polvo e cortando-lhe os tentáculos, um pelo de cada vez. O mar acalma-me. Aprendi esse truque com o primeiro psicólogo que me assistiu no aeroporto. E também foi ele quem me ensinou a usar sons do mar para adormecer. É curioso como o mar não me assusta. Isto porque estávamos a sobrevoar o Atlântico quando aconteceu. Não havia senão aquela grande massa de água debaixo dos nossos pés. Água espessa como o pânico em que nos afogámos dentro do avião. Água, que em pequenas quantidades ainda é o meu fantasma. Por vezes, quando me servem um copo, vejo-o tingir-se de vermelho, e esfrego longamente os olhos para repor a sanidade. E de novo penso nele. O passageiro 15A.

Eu era o passageiro 15B. Já revivi a cena nos meus pesadelos conturbados centenas de vezes. Lá estou eu, ordeiramente na fila para o check-in. Lá estou eu, finalmente a chegar ao balcão de check-in, e lá estão a perguntar-me se tenho preferência no lugar. E eu a responder que não. Quando se acumulam voos no historial, as cadeiras de avião tornam-se semelhantes, e começa a ser indiferente estar mais à frente ou mais atrás. E por isso respondi-lhe que não tinha preferência. Tinha sido tão fácil quanto dizer à senhora do check-in para me colocar mais à frente ou mais atrás. E talvez hoje esta barba não tivesse que permanecer no meu rosto como uma cicatriz, uma amputação ao contrário.

As máscaras de oxigénio caíram sem nada que o anunciasse. A turbulência só começou depois. A tripulação saltou dos seus lugares e pediu-nos que permanecessemos calmos. Pediu-nos que colocassemos as máscaras. Mas ele recusou-se. O passageiro 15A. Não tinha nem reparado nele nos vinte minutos anteriores desde a descolagem. Ele levantou-se do lugar, passou por cima de mim sem pedir permissão. E levantou os braços e levantou a voz.

“Que momento maravilhoso! Vocês nunca mais se vão sentir assim tão vivos. Não fiquem aí atrás de máscaras, usem-no para fazerem o que sempre quiseram! Beijem o passageiro do lado, liguem os telemóveis e digam a alguém aquilo que sempre quiseram dizer e nunca tiveram coragem! Não entendem como isto é o melhor que já vos aconteceu?”

Os braços foram-lhe violentamente baixados por duas hospedeiras-homem. O seu corpo ténue foi facilmente subjugado por forças superiores à sua. Parecia possuído, e só parou de gritar quando recebeu um punho fechado no estômago e um punhado de saliva lhe saltou da boca, juntamente com um uivo grave. Por essa altura, o avião já era um poço da morte. Levantei-me para o colocarem na cadeira ao meu lado. Estava fraco, ligado à vida pelo tubo que lhe bombeava ar concentrado para os pulmões, e apertado por um cinto que lhe amplificaria por certo a dor proveniente do estômago violentado. Estavamos todos assim. Surpreendidos e amedrontados pela forma como o avião nos sacudia como um cão com pulgas. Projectávamos a nossa esperança por um tubo que nos dava um ar relaxante. Acho que nenhum de nós se apercebeu bem das palavras loucas do passageiro 15A.

O avião parecia cada vez mais irado. E o passageiro 15A retirou a máscara. E, sorvendo longamente o ar rarefeito da cabina, expelia a custo um riso ofegante. Eu ainda acordo a meio da noite com aquele riso a cortar os sons de maresia no meu quarto. E ainda julgo escutá-lo tantas vezes durante o dia a discursar, gritando uma palavra de cada vez.

“O que esperam? Estão todos aí parados, a marcar lugar na fila para a morte? Eu cá não espero por ninguém. Sempre me quis demitir. Demitir do meu emprego. Demitir da minha namorada que me aborrece. Demitir-me de viver. Mas acho que andava à espera do momento certo. Este é o momento!”

Bastaram segundos. Um minuto, no máximo, e o passageiro 15A deixou de se mexer. A tripulação correu a cobri-lo com uma manta para que mais ninguém reparasse. Tudo para evitar o pânico. Estranho como o sacrifício do passageiro 15A fez o avião parar imediatamente de tentar matar-nos. Já tivera o seu sangue, o seu sacrifício humano. Os deuses estavam calmos. Fez-me pensar, em choque, se as tribos primitivas não estariam correctas.

Em terra, disse-se que o passageiro 15A perecera ao retirar a máscara. Disse-se que sofria de problemas psiquiátricos sérios. E todos aceitam que esses são os indivíduos que morrem primeiro: os que se recusam a jogar a vida com as regras todas.

O avião ia lotado, e eu fui o único passageiro a saber a verdade. Eu, o passageiro 15B. Eu, que fui recebido no aeroporto por um psicólogo e um papel para assinar em como nunca revelaria a verdade. Em troca, recebi informação. Eu sei que houve inquéritos. Pessoas foram demitidas. Eu sei que ninguém conseguiu explicar como ele violou tão obviamente o controlo de segurança. Talvez não o tivessem revistado com cuidado, ou talvez as máquinas estivessem avariadas. Bastava que lhe tivessem apalpado o bolso pequeno das calças de ganga, aquele bolso que ninguém sabe para que serve, e talvez hoje o passageiro 15A estivesse vivo. O bolso pequeno foi onde ele procurou, com gestos moles, aquela coisa. Lâmina. De barbear. Ainda me custa a dizer o nome. Acho que nunca mais conseguirei tocar numa.

Foi neste mesmo dia, há cinco anos atrás. Eu aprendi muito com o passageiro 15A. Aprendi que o seu sangue jorrar enquanto a pressão for suficiente. Aprendi que depois goteja e mancha terrificamente o chão. Aprendi que a barba crescida não contribui em nada para o charme de um homem. Aprendi que dormir pode ser mais complicado do que passar uma noite em claro. Depois de muitas sessões com o psicólogo do aeroporto, aprendi a ter pena do passageiro 15A. Afinal, ele demitiu-se desnecessariamente da vida antes de se poder demitir do emprego e da namorada. Depois de mais sessões ainda, aprendi que prefiro viver a vida ordeiramente numa fila até chegar a minha vez para ser atendido pela morte. Porque nesta fila a penalidade por desrespeito é sermos puxados para o primeiro lugar de acesso à morte.

E neste momento o psicólogo do aeroporto está a tentar que eu aprenda a responder ao passageiro 15A quando, da profundeza dos meus pesadelos, ele irrompe por entre os sons do mar da minha insónia e me diz:

“não aprendeste nada.”

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Desafio XLI





"We don't read and write poetry because it's cute. We read and write poetry because we are members of the human race. And the human race is filled with passion. And medicine, law, business, engineering, these are noble pursuits and necessary to sustain life. But poetry, beauty, romance, love, these are what we stay alive for. To quote from Whitman,

'O me! O life!... of the questions of these recurring;
Of the endless trains of the faithless--of cities filled with the foolish;
What good amid these, O me, O life?
Answer:
That you are here - that life exists, and identity;
That the powerful play goes on and you may contribute a verse.'

That the powerful play goes on and you may contribute a verse.

What will your verse be?"

("Dead Poets Society")



Wings para Ricardo:


"Estamos todos na bicha.

Ninguém sabe para quê.

Deve ser para a morte."


Roberto Juarrot