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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Desafio VIII - Resposta

"Incompetence - When you earnestly believe you can compensate for a lack of skill by doubling your efforts, there's no end to what you can't do.”

Chegamos a certas alturas da vida e sentimos que falhamos. Parece que tudo foi em vão, que por mais que tentemos tudo corre mal.

- Há-de melhorar.

Mas não. Incentivos parecem parvos, porque ninguém nos percebe. Que raio de incompetentes que somos, para falhar sempre em tudo. (Não que assim seja, mas ficamos cegos, muito cegos).

- Não te faças de vítima.

Mas não somos todos? Fomos feitos para falhar e ser miseráveis e tentar tirar partido disso. Trepar as paredes do poço, aprender e evoluir. Acho que até isso não sei fazer.

- Tens de acreditar. Acredita naquilo que fazes.

Ah! Ora aí está um bom conselho! Pelos vistos não se faz nada de jeito se não acreditarmos que conseguimos. Um simples mecanismo psicológico ajuda-nos a ultrapassar barreiras feitas de tijolos de incompetência.

- Agora que acreditas, tenta outra vez...

... e outra, outra, outra... Vê o castelo a ganhar forma, o quadro a ganhar cor, o puzzle a completar-se. Ou seja, vê os teus sucessos a acumularem-se.

Quem diria. Afinal não falhei assim tanto.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Desafio VIII - Resposta

Carpe Diem.
Horácio

Sempre associei liberdade com voar. Sempre olhei para o céu invejando todos os pássaros, todos os aviões, todas as folhas caídas no Outono.

O aproveitar da vida não pode ser algo de fixo ou de estipulado, algo determinado por uma lei, por uma sociedade, por uma cultura ou uma religião. Aproveitar a vida não pode ser simplesmente ver os dias a passar da janela, de um quarto fechado, de um qualquer espaço que nos limite o movimento e nos tape a visão para o céu. Mas também não pode ser simplesmente louco, partir à aventura, só viajar, ou só trabalhar, ou só gozar e festejar e nem sequer dormir por uma hora que seja num fim-de-semana de Verão. Não. Tem de haver algo mais. E não, eu não considero que aproveite bem a vida, eu próprio não sei o que é esse algo mais…ou sei, talvez, mas escuta… será que alguém a aproveita realmente? E já agora, o que é realmente aproveitar a vida? Não me dizes?... O teu silêncio preocupa-me.

No outro dia diagnosticaram ao meu colega do lado na empresa um tumor maligno. Um tumor no pâncreas. Um tumor daqueles que não se remove nem se cura. Daqueles que fica lá até ao dia em que finalmente a ele sucumbimos, ou a qualquer outra complicação derivada dele. Nesse dia o meu colega não veio trabalhar. Terá ficado em casa, suponho. A chorar? A confortar-se com os familiares? A decidir como melhor aproveitar os três a seis meses que lhe restam?

Não sei. Mas no dia seguinte lá estava ele. De fato. Impecável. Impenetrável. Sentado à sua secretária, fazendo o mesmo que faz todos os dias. Ninguém lhe dirigiu palavra. O seu semblante era de tal forma sério que ninguém teve coragem de o incomodar. Sorriu duas ou três vezes. Aproveitar a vida? Como? Quando? Será nos últimos dias antes de morrer que o fará? Quando estiver já no hospital, numa cama onde terminará os seus dias?

Seremos todos fracos? Ou faz apenas parte da nossa condição? Não conseguir dizer “não” sempre que queremos. Não conseguirmos quebrar as barreiras que todos queremos quebrar. Não conseguirmos tomar uma mão forte e decidida na nossa vida. Não conseguirmos gritar, não conseguirmos blasfemar alto e em bom som. E depois fraquejamos. E quanto mais fraquejamos mais tendemos a fraquejar, e a conformarmo-nos, e a sermos esquecidos. E quanto mais nos conformamos mais vemos o nosso dia chegar. “Causa de morte: tristeza”. Ninguém irá ao funeral…

Não. Não pode ser. Aproveitar a vida tem de ser mais que isso. Aproveitar a vida tem de ser uma luta estóica com a Morte. Com a morte física e com a morte psicológica. Com a morte por esquecimento, por tristeza, por alheamento do mundo e da vida que vivemos. Aproveitar a vida tem de ser travar uma luta de cavalheiros com a Morte. Dizer alto: “Morte, eu sei que estás aí, e eu sei que esperas ansiosamente pelo dia. Mas até esse dia chegar, em que eu conformar-me-ei com a tua vitória, vou lutar contra ti, e contra todos os que como tu tentam que a morte psicológica venha ainda antes da física…”.

Porque a morte é a melhor coisa que pode acontecer a cada um. O medo da morte é o melhor motor de arranque que podemos ter. E sim, todos temos medo da morte. Todos choramos quando alguém nos determina um prazo máximo para viver, e todos sentimos um enorme arrepio de medo quando sentimos o momento próximo. A morte é o melhor da vida. A morte é o que nos tem de fazer querer viver, querer aproveitar, querer estar, querer ser, querer deixar uma marca forte e pessoal no mundo. Antes de tudo acabar.

Porque a gaivota começa a morrer lentamente quando perde uma asa, eu olho de novo para o céu. Não podia ter melhor metáfora para o meu carpe diem diário. O céu lembra-me como é importante aproveitar a vida. Como é importante voar enquanto temos asas. Como é importante tomarmos o pulso da nossa vida, e dizer “não”, e dizer “basta”, e dizer “merda”.

E gritar.
E voar.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Desafio VIII - Resposta

Algo me grita aos ouvidos. É o toque a reunir das minhas forças perdidas em estradas intermináveis entre cidades de uma noite. É o gigantesco murmúrio de uma urgência que me puxa de um canto de inacção e me faz saltar. Houve tempos em que nada despertava em mim a mola que pula para me verticalizar. Ficava perdido em deambulações e passeios no deserto da minha mente. Ficava deitado na areia ao sol, apreciando o frágil gosto de não pensar em nada, de não haver ruído de fundo na minha cabeça, do ar não se agitar mais do que no bater de asas de uma borboleta. Apeteceu-me muitas vezes entregar-me ao deserto para sempre. Há ainda alturas em que ainda exploro o silêncio quando volto à suavidade dos dias vazios dentro da imensidão de mim mesmo. É preciso descobrir a música para conhecer o silêncio. O compasso dos silêncios. Os intervalos, os nadas, as lacunas. Eles também têm harmonia, também têm melodia, também têm ritmo. Os silêncios, os momentos em que, absorto por um Eu que me é completamente estranho, me entrego nos braços da perdição e me fecho às palavras e aos sons dos outros. Quando se conhece o silêncio de uma mente em comunhão consigo mesma, é difícil largar. É como uma droga. Uma droga que se sente até que um grito me desperta.

E eu acordo.

Sou amante do meu silêncio e amado pelo meu grito. E por isso sei que por mais belo que seja o suave correr do vento pelas asas de uma borboleta, nada aumenta a sedução dos meus momentos criativos como a electricidade orgásmica que se partilha pelo agitar da música. Nada enriquece todas as minhas vidas como o calor sonoro que me atinge como uma onda quando se abre a cortina. Nada me enche de cor os meus sonhos, e de palavras o meu imaginário, como o indistinto rugir que se agita com as curvas e os nós que dou ao meu corpo semi despido. Balanço-me, quebro o ar com um timbre violento. E à minha frente uma textura de peles, cabelos e roupa responde a cada variação. Sou um encantador de borboletas. E apenas me renego a viver a vida dos outros, apenas não me entrego ao sono eterno, porque não há sexo nem droga que se compare ao final da canção, quando, agitando mais fortemente as asas, clamando por libertação da harmonia que vem do palco, e desfeita em aplausos, a borboleta grita.

E eu acordo.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Desafio VIII - resposta

Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas
supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis


Eu tenho o dever de sonhar. Sempre soube que esse era o meu dever. Porque é a única coisa que sei fazer.
E era como agarrar o meu talento com as mãos e moldar espectáculos com fogo-de-artifício, bolhas de sabão e algodão doce. Era encantador ver os aplausos aos mundos múltiplos inventados em pétalas de flores.
Eu ficava quieta, no fundo do palco, observando a observação dos meus mundos.
Depois cresci e os meus sonhos evoluíram. Deixaram o açúcar do algodão agarrado às minhas mãos e tornaram-se abstractos e surrealistas. Eram uma névoa difusa de premonições com sentido. Um ponteiro magnético, pólo de ferro de ele próprio. Mas destes sonhos não senti aplausos. Estes sonhos não tinham cor, só prometiam cor. Só que eu não sabia fazer mais nada e por isso continuei a sonhá-los.
Mais tarde descobri que depois de sonhados, os meus sonhos eram representados. Alguém via a névoa difusa do meu caminho inventado e percorria-o. E ele torna-se azul, depois verde, depois amarelo, laranja, vermelho. Depois era real.
E ocasionalmente, alguém aplaudia. Um som fundo, que ecoava na maravilhosa caverna de sonhos do meu coração.
Afinal, eu sou mais do que um espectáculo de mim mesmo. E tenho o melhor espectáculo de todos.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Desafio VIII- Resposta

"I have my moments. Ever since I was a boy, I never was someone who was at ease with happiness. Too often I embrace introspection and self-doubt. I wish I could embrace the good things."

Sentado na cadeira como se estivesse morto. Talvez estivesse a morrer.Ou a curar-se. Não ha assim tanta diferença, entre morrer e nascer. Não existe assim tanta diferença entre o seu corpo abandonado na cadeira e o espelho que o reflectia. Nas duas imagens era dele aquela tristeza desumana e escura.
Porque fez o que os outros mecanicamente bloquearam. Lembrou-se consecutivamente do que os outros se esqueceram. Reparou que lhe era insuportavel o pequeno e insignificante pormenor que os outros aprenderam a aceitar.
Não era feliz. Certo, não era profundamente infeliz. Profundamente acabado ou destruido. Mas isso o não tornava feliz, apenas não infeliz ( tao simples e mesmo assim os outros não compreendem...).
Abandonado na cadeira. Estava a deixar que a sua tristeza se afogasse, lentamente. Para garantir a cura, a herança de uma cicatriz sã. Porque ele foi corroido pela duvida, a perspicaz duvida. E naquele momento teve inconscientemente consciencia que aquilo não lhe proporcionaria qualquer felicidade. Era o equivalente a nada.
Sentado na cadeira como se estivesse morto. Talvez estivesse a morrer, a deixar morrer aquela esperança de ser igual aos outros e deixar de ter aqueles momentos de pura e dramática lucidez existencialista . Aquele momento em que desejava abraçar aquela felicidade vazia.E esquecer-se da sua crua traição.
Mas ele cura-se. Morre e cura-se. E eleva-se ao ponto em que tenta a verdadeira felicidade. Morrer feliz. Os outros estao mortos enquanto ainda respiram.

Desafio VIII

Tiago para Alice in Wonderland:

Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas
supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis.

(Bernardo Soares, in Livro do Desassossego)

Alice in Wonderland para Ricardo:


"Before I sink into the great sleep, I want to hear the scream of the butterfly"
(When the music is over - The Doors)

Ricardo para Blue Storm:

"Incompetence - When you earnestly believe you can compensate for a lack of skill by doubling your efforts, there's no end to what you can't do.”
(Larry Kersten)


Blue Storm para Wings

"I have my moments. Ever since I was a boy, I never was someone who was at ease with happiness. Too often I embrace introspection and self-doubt. I wish I could embrace the good things."


Hugh Laurie


Wings para Tiago:

Carpe Diem.

Horácio