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sábado, 12 de junho de 2010

Desafio XXIII - Resposta

Ainda me desmancho de riso de cada vez que a minha mãe nos obriga a ver o vídeo, num velho leitor VHS. Provavelmente ainda ando a fazer explodir aos poucos, retardatariamente, todo o riso que contive naquela manhã. E ocasiões não me faltam. A minha mãe gosta de passar o vídeo todos os fins-de-semana. Junta a família na sala, numa união perfeita para a sua ilusão de conjunto uno, sagrado, edifício santo. A família santa, no entanto, tem três elementos, e não quatro. Só três. Há aqui dentro um a mais. E por isso ela nem me chama. Só quando vou a cruzar a sala, por algum motivo, ela me diz “senta-te”, mais uma ordem do que um convite. Tal como faz a um vizinho, a um estranho, a um hóspede. Eu sou a vaca no presépio. A vaca que ri.

E falando de vacas. Aquela manhã do vídeo foi obviamente mais um dos belíssimos presentes da minha irmã. Ela era o menino Jesus da família. Beata até ao osso, um modelo de virtudes, a filha que qualquer mãe quer ter. E eu só me ria, quando escutava a minha mãe a dizer isso aos vizinhos. Eu não, eu sou desbocada, sou estridente e desagradável. Naquela manhã só me contive semi-composta porque o meu pai tinha uma mão agarrando forte a mão da minha mãe, que falava, e outra nas minhas costas, a torturar-me a espinha, abortando uma gargalhada de cada vez que a sentia a caminho.

“Conte-nos, então, o caso da Cristina.”

Só isso já me fazia rir, porque eu sabia, sílaba a sílaba, o que a minha mãe iria responder à apresentadora do programa. Programa de televisão da manhã, pela semana, o público-alvo perfeito para cair na cantiga da minha irmã, que mesmo na sua cadeira de rodas, mais parecia estar num trono de onde estendia a sua influência. Ninguém lhe ficava indiferente.

“A Cristininha, minha filha, é uma santa. Ela foi sempre um exemplo para a irmã. Até para mim e para o meu marido. Olhe só, veja como ela, mesmo neste estado, é tão bonita! Mas nem um bocadinho vaidosa. Mesmo antes disto que lhe aconteceu, ela era muito humilde, estava sempre na igreja, organizava coisas para os pobrezinhos, e em casa era um gosto vê-la. Sempre muito calada e respeitadora. Ela lembrava-se sempre dos outros antes de se lembrar dela mesma.”

“É muito bonita, sim. Dói-nos o coração de a ver neste estado. Ora, conte-nos então o que aconteceu naquela noite.”

Só isto, já me fazia esquecer a pressão do meu pai nas costas, e sorrir descompassadamente com a minha mã a fungar, a levar o lencinho branco à vista para colher uma ou outra lágrima. É sempre assim nas experiências religiosas. Tem que haver lágrimas. E falando em pressão nas costas.

“A Cristininha foi a um encontro de jovens católicos. Foi no ano passado, no Pavilhão Atlântico. Ela tinha só dezoito anos. E quando voltava para casa, de mota com mais dois amigos, tiveram um acidente. Os médicos dizem que ela bateu com a garganta, e depois o pescoço foi para trás, e ela ficou neste estado. Muda, e paralítica. E ficou a santa que é.”

Eu não consegui. Mesmo cravando-me as unhas até romper a camisola, o meu pai não me conseguiu impedir de soltar uma gargalhada. A minha mãe chorava desconsoladamente, tapando os olhos com as costas da mão, e eu ria descontroladamente, tapando a boca com a manga.

“Toda a família ainda sofre com este acontecimento terrível. Vejo que a mana está especialmente nervosa.”

Não voltou a reparar em mim, nem me pediu para falar. Eu sou a irmã nervosa. Nervosa, pois. Já me chamaram outras coisas acabadas em “osa”. Invejosa, mentirosa, por exemplo. E a verdade é que, confesso, eu ficava nervosa de olhar para aqueles ferros e metais que mantinham a minha irmã compostinha na cadeira, sem se desfazer no encosto como um monte de gelatina. Por vezes, até se formava dentro de mim a mesma simpatia que imagino que ela despertasse aos milhares de espectadores que viam o mesmo. Mas depois via a sua cara, a beleza que ela sempre usou a seu proveito, e a expressão impassível, de santa de altar, com as sobrancelhas erguidas, e o olhar ligeiramente elevado, como se pertencesse mais ao céu que a esta terra, e isso, para mim, desmarcarava-a. Porque eu sabia que ela gostava das coisas da terra. Demais até. E agora, aquele Stephan Hawking de rabo de cavalo, estava mais uma vez a prostituir a empatia que gerava nas pessoas. E isso irrita-me, deixa-me fora de mim. Dá-me vontade de rir. Vamos então ter uma pequena lição de história, mãe?

Ficção: Ela foi sempre um exemplo. Ela é bonita, mas nem um bocadinho vaidosa.

Facto: Ela é bonita por ser extraordinariamente vaidosa. Mas a vaidade, escondia-a debaixo da minha cama, numa arca fechada. Um dia a minha mãe deu com um baú gigante de maquilhagem, colorações de cabelo, roupas mínimas e até perucas. E obviamente atribuiu a posse do baú a mim. Que belo exemplo, mãe.

Ficção: Ela era sempre muito calada, e lembrava-se sempre dos outros antes de se lembrar dela mesma.

Facto: Aqui estamos de acordo. Ela era calada porque não tinha nada para dizer. E lembrava-se dos outros porque essa era a sua forma de gostarem dela. Senão vejamos...

Ficção: A Cristininha foi a um encontro de jovens católicos.

Facto: A Cristininha disse que ia ao encontro, mas nunca chegou efectivamente a entrar no Pavilhão. Ficou à porta a beber com o grupo do costume.

Ficção: Quando voltava para casa, de mota com mais dois amigos, tiveram um acidente.

Facto: Falta dizer que o acidente foi na Marginal de Cascais, e nós moramos junto ao Pavilhão Atlântico. Mãe, que fazia a tua filha na Marginal às três da manhã? Os três, em cima de uma mota que não pode transportar mais de duas pessoas. Os três bêbados. Talvez, e isto é só uma hipótese, a tua filha estava lá porque foi com os dois amigos para o Guincho. Para um sítio escondido, perto da praia.

“Dona Rosa, eu espero que compreenda esta pergunta, mas eu tenho que a fazer, porque há milhões de pessoas em casa que podem pensar nisso, e por isso mais vale dizê-lo já. Mas a sua filha estava com dois rapazes, na mota. Por certo entende o que vem imediatamente à cabeça de alguém mais mal intencionado...”

“Olhe, isso só pessoas mesmo muito mal intencionadas. A minha filha é uma santa. Os médicos fizeram testes.”

Ficção: Os médicos fizeram testes.

Facto: Os testes dos médicos disseram que a minha irmã era virgem. E estão certos. Ela era conhecida na escola por isso. Dizia que só perderia a virgindade no dia do casamento. E eu dava gargalhadas de cada vez que ela o dizia. Ninguém sabia porque queria ela fazê-lo, ela não era de se justificar nem de apresentar razões. Ditava a sua razão como um decreto papal. Mas mãe, da idade dela já eu sabia há muito tempo que sexo, faz-se de muitas maneiras. E a minha irmã sabia bem disso. E mãe, não foi só a mota que levou carga a mais em cima naquela noite.

“Dona Rosa, o que a leva a dizer que a sua filha é uma santa?”

“Porque depois vieram os milagres. Ela esteve muitos meses no hospital, mas depois pudemos trazê-la para casa. E depois eu pus-lhe um crucifixo pendurado no quarto, e logo quando ela chegou ela começou a olhar para ele e assim, a chorar. E depois quando eu tive uma doença eles levaram-na lá e ela curou-me.”

“O que a dona Rosa está a querer dizer é que a senhora estava de cama com pneumonia, e ficou instantaneamente curada quando a sua filha a tocou, é isso?”

“E não fui só eu. As minhas vizinhas têm ido lá a casa, e mal a vêm caiem logo de joelhos. A Cristininha é uma mártir do Senhor. Precisamos de saber a mensagem que ela nos veio trazer. Ela foi poupada pela morte para nos iluminar o caminho.”

“Dona Rosa, conte-nos o que a sua família veio aqui pedir hoje.”

“Existem uns aparelhos muito caros, em que ela pode escrever a mexer os olhos, e depois a máquina diz o que ela escreveu. Nós não podemos comprar um para a Cristininha. Mas queremos muito conhecer a mensagem que o Senhor a mandou trazer. Ninguém sobrevive a tanto sem ter uma coisa muito importante para revelar.”

E foi assim, com este momento televisivo, que se iniciou o grande peditório para dar voz à Cristininha. Uma voz metálica, como os ferros que a sustinham, mas ainda assim uma voz. E o dinheiro choveu. A minha irmã tornou-se doce como mel para senhoras abastadas com problemas de consciência poderem esbanjar o dinheiro dos maridos. Em duas semanas, a conta criada especificamente para esse propósito já tinha ultrapassado o custo do equipamento. Em três semanas, a Cristinha já dava lucro. Em dois meses, a minha mãe estava à janela ansiosamente à espera que o equipamento fosse montado. A santa ia falar.

Ficção: A minha irmã curou a minha mãe da pneumonia.

Facto: A minha mãe estava a ser acompanhada e medicada há mais de uma semana. A pneumonia praticamente já se tinha ido embora e, para ser sincera, acho que ela só se mantinha na cama porque ela é muito preguiçosa. A Cristininha, esse é o seu emprego a tempo inteiro, o melhor que já teve na vida. Isso é que a fez levantar-se.

A máquina chegou, os senhores montaram-na, colocaram todos os restantes fios e ecrãs em torno da minha irmã. Parecia uma antena gigante, um receptor cósmico qualquer. A minha irmã, o menino Jesus da família, nascida no dia em que ia morrendo. Aquela que para trás desse dia não tem história. Aquela dotada de sabedoria divina, aquela que comoveu o país. Aquela que pode agora falar.

A antecipação era dolorosa. Os olhos começaram a mover-se. A minha mãe, de terço nas mãos e dedos entrelaçados, parecia em transe. Parecia estar a olhar para os olhos de Deus enquanto se movem.

“P-“
“-o-“
“-r-“

E que disse Deus?

“F-“
“-a-“

Oh, bolas, não tive paciência para ler todas as letras que ela picava com o olhar. Fui-me sentar no sofá e esperei que o sistema de voz repetisse alto. Foi em tom apressado e monocórdico que uma voz espantosamente orgânica e feminina disse:

“Por favor, alguém me corte o cabelo.”

A minha mãe, por uma vez, rir desmesuradamente, numa gargalhada a que se juntaram todos os presentes, o meu pai, os técnicos, os jornalistas que gravavam o momento para mais tarde passar no programa da manhã. Eu não sabia o que dizer ou fazer. Por uma vez, nem rir consegui.

Ficção: A minha irmã chorou ao olhar para o terço.

Facto: É curioso como nunca me tinha lembrado disto. A minha mãe pendurou o terço no espelho grande da cómoda da minha irmã. Quando ela chegou, olhou o terço e chorou, ela na verdade estava a ver a sua própria imagem reflectida no espelho. O seu rosto delicado, as feições perfeitas, que são o que o Mundo de fora via, não contavam nada para os seus próprios olhos. Esses, não viam senão as olheiras gigantes, as cicatrizes, os dentes em falta, o cabelo longo espigado.

A minha mãe foi lesta a beijar-lhe o rosto e a interpretar bem alto o que a filha disse.

“A minha filha está a dizer-nos que devemos viver as nossas vidas com humor. Mesmo nesta infelicidade, ela pede-nos que sejamos positivos. Esta é a mensagem do Senhor. Rir, rir muito!”

Excepto quando sou eu a rir deste circo. Neste Mundo, quem fala, quem grita, quem esperneia, é quem menos se ouve. E custa-me a entender porque tem que ser assim, porque temos que ligar a sabedoria ao silêncio. Quem menos fala, menos tem para dizer. Mas é escusado tentar até entender. No final, as pessoas vão sempre interpretar tudo como lhes apetece, e por isso é bem feito o destino que têm. A verdade, essa, é a única verdadeira vítima nesta vida.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Desafio XIII - Resposta

"Põe quanto és no mínimo que fazes"
Ricardo Reis

Chamam-me um “pateta alegre”. Não será, acredito, com má intenção, mas algo na forma como o dizem mexe-me com as entranhas.

Sinto que tive uma boa dose de sorte ao longo da minha vida. Sinto que tive quem me educasse, e quem me ajudasse, e quem me acompanhasse. Não o sinto, na verdade, sei-o. Sei que nunca estive sozinho, mesmo que bem lá no fundo sentisse a mais desesperante solidão. Sei que tive e que tenho quem me ampare na queda, e quem me ajude a levantar de novo, sempre.

Serei fraco?

A questão ecoa nas paredes da minha casa. Serei fraco porque não sofri? Serei fraco porque decidi voltar, serei fraco porque tive sorte ao longo da vida e portanto nunca precisei de realmente lutar?

Muito bem, assumamos que sou fraco.

Silêncio.

Lá está, nada mudou. Ainda há um nada era pateta, e agora passei a fraco. Se continuarmos esta conversa passarei a inútil, e depois a dispensável. Passarei a um simples consumidor de um já raro oxigénio.

E no entanto, continuo aqui. E no entanto sorrio ao ver o que sou, onde estou, e o que consegui. Sozinho ou acompanhado. Revejo-me em mim próprio. Arrependo-me da minha quota-parte de situações, e dou graças por um outro conjunto de situações que fortuitamente aconteceram.

Um momento de silêncio, por favor.

Sim, sou fraco. Sim, tenho dificuldades em dizer que não. Sim, tremo quando sei que tenho razão mas não ma dão, ao ponto de querer explodir sem no entanto o fazer, sabendo que se o fizesse perderia a razão. Sim, prefiro evitar os problemas a enfrentá-los (“Confront your enemies, avoid them when you can”). Sim, tenho dificuldades em engolir situações novas, por medo de perder o conforto em que me instalei nas antigas.

E no entanto, sou íntegro. Sou aquele que tenta apaziguar, mesmo que não consiga sempre evitar cair na simplicidade do “dizer mal”. Sou aquele que faz o que pensa, e que faz aquilo em que acredita, habitualmente.

No entanto, sou aquele que vive feliz consigo próprio. Aquele que dorme bem à noite, aquele que não sabe onde vai chegar e que se preocupa com isso. Aquele que prefere o mapa à aventura, e que acha o próprio mapa uma grande aventura.

Sou aquele que pára o carro no trânsito matinal para tirar uma fotografia ao nascer do sol. Sou aquele que sorri como resposta a um simples sorriso. Aquele que se alegra com as alegrias dos outros.

Sou pateta? Fraco? Simplório? Talvez. Mas sem nenhuma dúvida sei quem sou. Sou eu, e sou eu quem decide a minha vida. Mesmo que essa decisão seja de fazer o que as outras pessoas esperam que faça, ou o que me pedem para fazer. Sou sempre eu. Às vezes não pareço. No fundo, sou sempre eu.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Desafio XIII - Resposta

"The whole difference between construction and creation is exactly this: that a thing constructed can only be loved after it is constructed; but a thing created is loved before it exists. "
Charles Dickens



Posso dar-te o mundo.
Posso dar-te o meu Mundo.
Eis o meu mundo:
Quatro estações do ano. Bem definidas e limitadas por dias em que tudo muda. Um caleidoscópio do tamanho dos meus olhos.
O cheiro a mar.
No meu Mundo a praia é um cenário de perto. O fundo são os borrões de pessoas. Viajantes ocasionais que cheiram a futuro.
Deixam búzios na praia. E nós vamos apanhando e ouvindo o marulhar do Mar dos outros mundos.
E a verdade é um tempo que nunca faz parar o relógio.
Deixo-te o meu Mundo, no meu testamento.
É tudo o que tenho.

Deixo-o para ti. O amor que o suporta criou-lhe a existência.

domingo, 21 de março de 2010

Desafio XIII- Resposta

Pedes-me para te explicar. Para te descrever. Mas tu não compreendes? Música é uma droga saudavel. É um vicio que não e vicio. O amor e um vicio. Mas abanas a cabeça, dizes que o amor é a maior das leis humanas. É isso mesmo, o amor é um vicio. E o amor à música é um vicio ainda melhor. É uma lei que não é lei. É abandonares-te e encontrares-te. É deixares de ser tu para seres verdadeiramente tu. Música é encontrares-te depois de te perderes. Oh, sim, estamos sempre perdido de nos proprios...
Música são todos os silencios apaziguadores numa tarde quente e amena de Verão. São todos os dias de Inverno em que o Sol incide numa arvore que perde um pouco da tristeza castanha. Música não é este mundo, é o outro. Música não é sentires-te invadido por uma noite fresca. É sentares-te à beira-mar e ouvires a melodia da Orion enquanto observas a infinidade do céu. Sim, música é isso. Deixares o saber cientifico das estrelas para as encontrares esplenderosamente belas na simplicidade com que te maravilham. Te transcedem.
Música é simples porque é uma questao sensorial. Música é tudo o que o teu cerebro não consegue explicar mas a tua pele sente e reage.
Não! Não. Música não e religiao. Musica é um lugar sagrado onde a restrição é saber sentir. É conseguir sentir e transmitir. Música é o teu lugar sagrado, o teu lugar secreto , seguro. Música é um lugar sagrado . Música não é religiao. A religiao é que tem uma pequena vertente de musica.
Música está muito acima de qualquer Deus que possas imaginar. Porque não ha nada de racional na forma como amas a Música. Por isso é que nunca vais compreender .
A não ser que tambem ames. Que tenhas este vicio que não é vicio. Este chamamento silencioso. Música não é algo deste Universo .

quinta-feira, 18 de março de 2010

Desafio XIII - Resposta

Isso é tudo o que tens para me dizer?

Misery loves company.

E por causa disso vais-te embora? E deixas-me sozinho com as memórias de tudo o que fomos? E porquê? Por causa da minha reclusão? Por causa da minha solidão? Por causa da minha auto e hetero-crítica constante? Por causa desse meu alegado mau feitio, sempre a ver preto no que efectivmente é preto, em vez de fingir que é cor-de-rosa? Por não reconhecer talento e valor no que é ordinário? Por não ceder e não me abnegar à tua banalidade de festas inúteis e tardes em cafés ridículos? Por não achar que em qualquer pessoa está um amigo? Por não me prestar a sorrir a quem odeio? Por recusar a hipocrisia e tentar dar-te uma vida efectivamente diferente e feliz? Então ser consciente e realista é pior do que ser auto-iludido e mentiroso? És capaz de negar que a minha postura me trouxe a capacidade de reconhecer a felicidade onde ela é justa e merecida? És pelo menos capaz de me justificar porque é que essa "miséria" tem que arrastar mais miséria? Consegues efectivamente dizer-me porque é que uma miséria acompanhada, mas consciente e proactiva, é pior do que o teu culto por uma constante alegria tonta, pateta, e cheia de frases feitas? Para além dessa suposta crítica da minha capacidade crítica, sabes mostrar-me algum Mundo interior teu que não seja banal, rotineiro e desinteressante? Sabes dizer alguma coisa que não seja um cliché? Sabes sequer o que esse cliché quer dizer? Tens alguma ideia sequer do que estás a falar? Jesus Cristo, porque estou a perder o meu tempo contigo? Porque é que eu perdi tanto tempo contigo?!

Sinceramente, "misery loves company"?

Is that the best you've got?

Well, sure, at least that may be true.

But company loves misery back.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Desafio XIII

Tiago para Wings:

"You know what music is? God's little reminder that there's something else besides us in this universe, a harmonic connection between all living beings, every where, even the stars."

Wizard, in August Rush

Wings para Blue Storm:


"Um tolo instruído é mais tolo que um tolo ignorante."

Molière

Ricardo para Alice in Wonderland:

"The whole difference between construction and creation is exactly this: that a thing constructed can only be loved after it is constructed; but a thing created is loved before it exists. "
Charles Dickens


Alice in Wonderland para Tiago:

"Põe quanto és no mínimo que fazes"


Ricardo Reis


Blue Storm para Ricardo:

Misery loves company.


Provérbio