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quarta-feira, 16 de junho de 2010

Desafio XXV- Resposta

Não percebes nada de música, não a compreendes. Dizes que tens boa coordenação e um bom sentido de ritmo. Dizes que te sentas com a guitarra no colo e que crias melodias afaveis e bonitas.
Mas isso não te faz compreender tudo o que a Música é. Nada tem que ver com aptidoes, a música. É uma questao de amor, porque o teu coraçao fica alegre e vibrante ao ser preenchido por uma idealogia que te não deixa morrer nos momentos monotonos e baços que existem em qualquer suave existencia.
Podes ser isso tudo, ah sim, até podes ser um músico brilhante. Podes dar concertos e podes ser aplaudido.Mas continuas sem amar. Não amas a musica. É apenas mais uma parte da tua vida onde queres ser bem sucedido. Como é que sei que não amas? Porque esforças-te pelos aplausos, nunca os ignoras. E se amasses a música eles tornar-se-iam secundários. Não irrelevantes, apenas se te movesses animado por um amor que não consegues controlar, a tua primeira preocupaçao não recairia sobre os aplausos. Mas sobre a tua entrega total no acto. Ah sim, quem ama aceita morrer triste...
A música transcende-nos, a música é a voz do Deus que nunca existiu; não é deste universo. É imortal enquanto somos todos, humanos decadentes, mortais e efemeros. Música não é só mais alguma coisa onde tens sucesso e onde queres ser idolatrado. Tens de ter amor para que a tua dedicaçao não se torne mecanica.
É ironico. Quanto mais o mundo evolui tecnologicamente, menos se percebe sobre a verdadeira essencia das coisas. E esta sociedade inocua onde vives e onde te identificas encontra mais do que espaço para libertar a sua não reflexão sobre o que, garantidamente, não é amor. E distorce tudo, distorce ate a Musica, a voz da única alma que podemos ter. Distorce o proprio proposito da evoluçao tecnologica, a beleza da Musica ve-se desprotegida...
Tu não compreendes a música. Não amas, nada sobes a inevitabilidade triste que existe no amor. És mais um ser triste desta nova epoca que se revela vazia. És a voz de nada porque procuras o sucesso sem reflectires sobre quem és.
E a música é a única voz que podes ter, não importa se tens o dom da coordenaçao. O teu eu é mudo.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Desafio XXV - Resposta

"Children show scars like medals. Lovers use them as secrets to reveal. A scar is what happens when the World is made flesh."


As cicatrizes beijaram-me todo o
corpo
como pássaros breves.
colocadas e distribuídas sem passado
num corpo abandonado
sem sustento
Destilavam um aroma bárbaro
que sempre atraiu homens e
encantou crianças.

Porque em cada pedaço do meu corpo
em que uma cicatriz pousava,
se beijava a vertigem da catarata
ou se dormia com a infância corroída.
E não há nada como o sexo atravessado
em que se faz amor com um corpo
que é o Mundo.

E cada vez que esse Mundo te seduzia
na forma do meu corpo
mais uma cicatriz pousava
no meu ombro esquerdo,
calejado de já ter sido condenado
à morte e nunca morrer.
A vida que ainda me vivia na pele,
levantava-me da cama,
e eu ficava a lamber as minhas
feridas,
pedaços irregulares que o Mundo
esquecera de varrer
e que te enchiam de prazer.

Mas pouco houve de mim na minha vida
E eu nunca soube o que o amor era.

domingo, 13 de junho de 2010

Desafio XXV - Resposta

A guerra moderna é um inferno privado, repleto de horrores fechados no seu contexto, porque perder um amor ou perder uma perna são sentidos com a mesma intensidade. A intensidade do amor perdido é impotente e chora perante a comoção tamanha que nos gera o quotidiano, a nós que somos filhos bastardos da ilusão do passado e dos sonhos dos nossos pais. A nós, que estamos perdidos entre o que somos, porque a vida é só isto, e o que desejamos ser, porque a vida tem que ser mais que isto. A nós, que nos rebolamos nos pequenos prazeres e preferimos o plano à concretização, porque algo quando o é tem já que passar a ser outra coisa. A nós, que fazemos dos mapas e dos roteiros um fim e não um meio, porque nos mapas estão os próprios caminhos pré-traçados que podemos trilhar. A nós, filhos da aventura e guerreiros contra o tédio. A nós, a quem uma fotografia a preto e branco de New York City continua a encantar como se não fosse um tremendo cliché, uma idealização impossível, um acompanhante para um cigarro e um Martini, um arranha-céus da ilusão colectiva construído com alicerces no lodo que é a nossa crónica falta de opções que nos maravilhem. A nós, porque as músicas estão escritas, os filmes estão rodados, os livros estão vividos. Fechem-se os teatros, os cinemas, as livrarias, porque nos prometeram uma vida à qual estamos vedados. E nós estamos muito, muito irritados. Irritados na guerra moderna: nós contra a ideia de nós. Eu contra a ideia de mim mesmo. O Mundo, esse é só o pano de fundo. É dentro de mim que se verte sangue num correr contínuo que desagua na melancolia, na desilusão, no desamparo, no querer e não chegar, no tocar e não sentir, no estar quase, mas não exactamente lá. Lá, nesse lugar de sonho onde há morte, e dificuldade, e sofrimento, mas pelo menos essas coisas são todas reais, e queimam, queimam como um cigarro na pele, como uma lâmina cortando uma tatuagem num pulso. Lá, nesse lugar onde não se vive neste semi-coma em que tudo vem nas mesmas doses, relativamente ao seu referencial específico, e perder um amor é como perder uma perna. Lá, onde nos sentimos numa existência que nos puxa, nos estremece, nos atira contra uma parede, nos roda e gira, nos parte os dentes, mas enfim, nos faz sentir feitos de electricidade. Lá, nesse sítio onde o amor não nos leva, o trabalho não nos conduz, e a nossa própria imaginação tem dificuldade em carregar-nos às costas. Onde quer que esse lá seja, haverá jazz, haverá um saxofone a ecoar nas ruas, uma chaleira ao lume, e a Ella a cantar notas dilacerantes. Haverá New York City, não a real, mas aquela, nocturna e iluminada, que alumia a vida que queremos. E haverá morte e sofrimento, amores e pernas perdidas. Mas nunca, por nada desse Mundo, nos sentiremos entorpecidos, sonolentos, trôpegos, distantes, foragidos, desencantados, aborrecidos, desinteressados, invejosos das pessoas simples para quem o mar dá tudo e a Natureza é mãe. E lá, nesse lugar que existe em algum sábado à noite de fim-de-semana da vida, quero morrer, soldado caído da minha guerra contra a minha apatia, contra a minha inércia. E lá, nesse espaço sem lugar a sinais de stop, sem faixas da direita para quem gosta de andar devagar, é onde quero ser enterrado. Enterrado na esquina onde tombar, morto como um cão posto a dormir, concretizado no anonimato. Uma vida que explodiu, mais do que parar.

“Tombou, nesta esquina, vítima de fogo amigo, o soldado R.T., herói sem pátria, habitante do éter, inimigo do vazio.”

Lá, haverá sons de tiros, e morte, e sofrimento, e o amor será bastardo e as pernas correrão muito para além do limite do cansaço. Sim. Mas também haverá jazz. E um saxofone distante a ecoar nas ruas.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Desafio XXV

Tiago para Wings:

It is so characteristic, that just when the mechanics of reproduction are so vastly improved, there are fewer and fewer people who know how the music should be played.

Ludwig Wittgenstein


Wings para Blue Storm:
perspicácia.





Ricardo para Alice in Wonderland:

"Children show scars like medals. Lovers use them as secrets to reveal. A scar is what happens when the World is made flesh."
Leonard Cohen, The Favorite Game

Alice in Wonderland para Tiago:

"With great power comes great responsibility"

Spiderman movie






Blue Storm para Ricardo:

"In modern war... you will die like a dog for no good reason."
Ernest Hemingway