Sabe que falou do seu cansaço, da sua doença diária.
Que tentou médicos e paciências alheias.
Tratamentos fictícios que nunca resultaram
na sua preguiça estagnada,
Propaganda indefinida dessas massas de gente.
Corpos autómatos que lhe procuravam o botão do “on” cada vez que ele dizia
“Estou cansado”
Era uma doença. Pior do que a lepra ou a SIDA,
porque borbulhava da profundeza única do desejo de não ser nada e não quer ser nada e não valorizar quem é alguma coisa.
“Estou cansado”, disse ele tanta vez
E logo um fedor a fraqueza se instalava
nos ambientes da sua vida.
E logo os corpos que por ali passavam se massajavam de adrenalinas fúteis,
desejos vadios para expulsar aquela doença contagiosa.
Que pobreza. Que falta de felicidade.
E já nem ele se lembrava. Era um efeito secundário,
dos comprimidos que nunca lhe deram.
Como se aquela inércia de se levantar e abrir as persianas do quarto
fosse mais uma mobília que ele comprara.
Já nem se lembrava. Tivera sonhos?
Correra para apanhar o autocarro?
Amara?
Mas às vezes lembrava-se.
Ele fora o sonho que eles não ousavam,
quando cansados de mentir,
adormeciam em estrados de algodão e abortavam
esperanças.
E estar cansado daquele cansaço
era o seu último pedaço de
si.
Uma curta dose de eutanásia;
A rebeldia que rejeitava todos
os dias o veneno que lhe injectavam.
Por isso não se mexeu, enquanto a música tocava.
O disco estava riscado.
“… Sick and tired of being
sick and tired of being
sick and tired of being
sick and tired of being
sick and tired of being …”
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terça-feira, 25 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
Desafio XXII
Tiago para Blue Storm:
Boys of today write lines on walls
In the streets at night
In suburbs of cities with no name
Is this destruction? ... or just quiet protest
Against loneliness?
Kings of Convenience - My ship isn't pretty
Wings para Ricardo:
O mito é o nada que é tudo
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo
Este que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos braços.
Por não ter vindo foi vindo
E nos creou
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre
De nada, morre
Fernando Pessoa , A mensagem
Blue Storm para Alice in Wonderland:
"Sick and tired of being sick and tired."
Boys of today write lines on walls
In the streets at night
In suburbs of cities with no name
Is this destruction? ... or just quiet protest
Against loneliness?
Kings of Convenience - My ship isn't pretty
Wings para Ricardo:
O mito é o nada que é tudo
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo
Este que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos braços.
Por não ter vindo foi vindo
E nos creou
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre
De nada, morre
Fernando Pessoa , A mensagem
Blue Storm para Alice in Wonderland:
"Sick and tired of being sick and tired."
Be Free by Papa Roach
Alice in Wonderland para Wings:
He floated back down 'cause he wanted to share
His key to the locks on the chains he saw everywhere
But first he was stripped and then he was stabbed
By faceless men, well, fuckers
He still stands
Pearl Jam, Given to fly
Ricardo para Tiago:
Mmm bop, ba duba dop
Ba du bop, ba duba dop
Ba du bop, ba duba dop
Ba du
Hanson - Mbop
Alice in Wonderland para Wings:
He floated back down 'cause he wanted to share
His key to the locks on the chains he saw everywhere
But first he was stripped and then he was stabbed
By faceless men, well, fuckers
He still stands
Pearl Jam, Given to fly
Ricardo para Tiago:
Mmm bop, ba duba dop
Ba du bop, ba duba dop
Ba du bop, ba duba dop
Ba du
Hanson - Mbop
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